• 11 Out

    Em artigo publicado no jornal A Tribuna, Braz fala sobre o uso racional da água

    Água, problema que afeta a todos.

     

     

                                          Braz Antunes Mattos Neto

                                          Cirurgião Dentista e Vereador em Santos.

     

     

    O que podemos fazer de fato para economizar água? A questão é urgente e preocupante. Esperar que desastres anunciados aconteçam para só então começar a agir, não é atitude sensata, ainda mais quando tratamos de questões ambientais. A hora é agora e precisamos pensar coletivamente.

    A questão é essencialmente pública. Pensando exatamente no consumo e na disponibilidade da água,  realizamos Audiência Pública a respeito em 24 de setembro, na Associação de Engenheiros e Arquitetos de Santos, reunindo mais de uma centena de técnicos, profissionais, empresários, gestores, síndicos, ambientalistas e munícipes interessados. Os resultados do debate, na minha visão, foram extraordinários.

     A partir de um projeto de lei de minha autoria (Projeto Nossa Água), que foi anexado a outras propostas de vários vereadores, resultando num substitutivo  único, discutimos dois pontos cruciais:  individualização da medição do consumo e  substituição do vaso sanitário com  sistema de válvulas de pressão (hidras) por caixas acoplada de três a seis litros, em todos os condomínios, seguindo as técnicas modernas de retrofit. O prazo para tanto seria de até cinco anos.

     Como o objetivo é economizar água, os edifícios tidos como  consumidor econômico (enquadrados na taxa mínima de consumo da Sabesp, pela média dos apartamentos) estariam desobrigados.  Eventuais modificações que coloquem em risco  os usuários (como obras estruturais), também implicariam em dispensa, até que houvesse possibilidade financeira para  a adaptação hidráulica.

    Só para lembrar: pela Lei Federal Nº 13.31/2016, a partir de 2021 todas as novas construções serão obrigadas a instalar sistemas individualizados.

    Importante é observar que, em alguns anos,  o potencial econômico pode chegar a 400 mil metros cúbicos por mês.  A disponibilidade de água no mundo é cada vez menor e as previsões apontam que em 2050 cerca de 8,9 bilhões de pessoas serão obrigadas a conviver com escassez . Grandes cidades já enfrentam situações de calamidade. No Brasil, o sistema de abastecimento de água potável registra 37% de perda e desperdício. Os grandes consumidores de água em Santos, a cidade mais verticalizada proporcionalmente do País, são os edifícios: de cada cem domicílios, 63 são prédios, com mais de 91 mil apartamentos no total. Boa parte deles desperdiça água mas a conta é rateada por fração ideal, sem levar em consideração o que realmente cada um consumiu.

    A individualização dos hidrômetros pode atingir  economia de cerca de 40%.Quanto ao sistema retrofit, é possível reduzir o consumo em 30%,  que pode facilmente chegar a 47%. Aqueles que apontam a questão econômica como impeditiva para as mudanças, tiveram uma surpresa: foi demonstrado que, dentro do enfoque  custo/benefício, é perfeitamente viável para qualquer condomínio. Aliás, cerca de cem edifícios em Santos, dos quase oito mil existentes, sendo um  deles construído na década de 40, já trocaram os seus sistemas antigos. O reflexo econômico prático é capaz de amortizar o custo da própria implantação dos novos sistemas que é  tecnicamente  perfeitamente factível na maioria dos casos.

    Existem exceções e elas devem ser respeitadas. Da mesma forma, precisam ser discutidas e acordadas questões como o valor de eventuais multas, os prazos adequados, as prioridades, etc. Em resumo: é preciso começar a agir e acabar de vez com o desperdício. É óbvio que estamos totalmente abertos a sugestões e a conversar sobre o nosso projeto. Pois toda contribuição é válida.

     

     

    Postado em: Artigos, Notícias, Vereador
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