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Conheça abaixo um pouco da história da cidade de Santos. Para ler o texto basta clicar no tópico desejado.
A História de Santos demonstra a importância de nossa cidade desde os primeiros tempos. Pode-se dizer que não houve acontecimento histórico importante para o Brasil que a nossa cidade não tivesse participação intensa, direta e, não houve poucas vezes, decisiva.
A HISTÓRIA DA FUNDAÇÃO DA NOSSA CIDADE
Nossa cidade nasceu pela ação de outro Brás, Brás Cubas, que, vindo de São Vicente se estabeleceu nas proximidades do Monte Serrat.
Em 1541, um terrível maremoto varre São Vicente, destruindo grande parte de suas casas, causando destruição e morte. Parte da população atingida duramente pelas águas decide mudar para local mais seguro, que então tinha o nome de "Enguaguaçu" e se situa nas proximidades do nosso Monte Serrat.
Com o repentino aumento da população, Brás Cubas percebe que é necessário um Hospital para atender as pessoas. Imediatamente inicia uma grande campanha para arrecadação de fundos e, 1543, funda o "Hospital de Todos os Santos", cujo nome foi inspirado no dia de sua fundação, dia de "Todos os Santos". Já se percebia a vocação de pioneira da gente de nossa terra, eis que o Hospital foi o primeiro a existir no Brasil, em atividade até os nossos dias, graças à abnegação de inúmeras gerações de santistas.
A partir de então, por conta da fundação do Hospital, o povoado de "Enguaguaçu" começa a ser conhecido como "Povoado do Porto de Santos". Em 1546, Brás Cubas deu ao povoado o "status" de "Vila do Porto de Santos". Desde a sua fundação, Santos e a nossa gente precisaram enfrentar inúmeras adversidades, que foram superadas pela têmpera inquebrantável de nosso povo.
Assim é que, em 1570, nossa terra é atacada ferozmente pelos índios "Tamoios". Em 1583 é invadida por corsários ingleses, que logo foram expulsos. Em 1591, novamente, no dia de Natal, novos corsários ingleses invadem nossa terra. Aproveitando-se de que, na noite de Natal, desarmada, a população participava de eventos religiosos, os ingleses atacam sorrateiramente, provendo violências e saques. Parte da População, contudo, consegue fugir para as matas que rodeavam a "Vila do Porto de Santos" e, ali, inicia uma tenaz resistência contra o invasor. O ingleses conseguem dominar nossa terra por alguns meses, logo sendo expulsos por nosso valoroso povo.
Em 1615, já com a capela de Nossa Senhora erguida no Monte Serrat, os holandeses tentam conquistar nossa então "Vila". Atacaram impiedosamente a população, que se refugiou no Monte Serrat, ali resistindo bravamente às investidas dos invasores. Diz a tradição oral que, em determinado ataque, com os santistas já com as resistências minadas, parte do Monte Serrat desabou sobre os atacantes holandeses, que, então, foram mortos e feridos. Aliás, a partir de então, cresceu mais, a devoção dos santistas a Nossa Senhora do Monte Serrat, padroeira de nossa cidade.
Constata-se que, para a nossa existência, nossos antepassados tiveram que bravamente lutar contra índios e corsários ingleses, holandeses e franceses, que foram expulsos pela tenacidade de nossa gente.
Santos somente foi ter uma fase de desenvolvimento mais consistente com a vinda da família Real para o Brasil, em 1808. Como se sabe, Portugal (assim como toda a Europa) foi atacado pelas tropas de Napoleão Bonaparte. Não tendo como resistir, a família Real de Portugal veio para o Brasil, como toda corte, sob a proteção das tropas inglesas.
Uma das primeiras medidas de D. João IV, ao chegar ao Brasil, foi abrir os portos brasileiros para os navios de nações amigas. Com isto, o Brasil e Santos ganham um surto de grande desenvolvimento. Tanto que, em 1814 nossa população já era de 5.128 pessoas.
Uma das famílias de santistas, os Andradas, tiveram papel fundamental como artífices de nossa independência. O mais conhecido dos Andradas, sem dúvida, foi José Bonifácio. Mas não se pode esquecer de seus irmãos Antônio Carlos e Martin Francisco. Mas, sem dúvida, o chamado “Patriarca da Independência” foi, de fato, José Bonifácio de Andrada e Silva, ilustre santista nascido no dia 13 de junho de 1763. Sua formação inicial ocorreu em nossa cidade, sendo que, já adulto, estudou na Universidade de Coimbra e entrou em contato com as idéias que geraram a Revolução Francesa e a Libertação Norte-Americana. Foi um santista que pensou o Brasil como uma Nação, buscando reunir todas as suas diversidades, reunindo-se em um País.
Participou de forma fundamental da Primeira Assembléia Constituinte Brasileira, reunida logo depois de decretada a Independência do Brasil. Junto com seus irmãos e inúmeros outros constituintes, discutiu as questões mais relevantes para o Brasil: a libertação dos escravos, a efetiva independência de Portugal, os ideais de liberdade, enfim. Como se sabe, D. Pedro I acabou por fechar a nossa Primeira Assembléia Constituinte e José Bonifácio foi expulso do Brasil, partindo para a França, junto com inúmeros outros constituintes. Viveu na França por cinco anos, sendo ali respeitado como um dos grandes homens da época. Tanto assim que, em Paris, até hoje, há um busto de José Bonifácio em praça pública, honra que os franceses concedem a poucos estrangeiros.
D. Pedro I, por sua parte, colocou em vigor a Primeira Constituição Brasileira de 1824, que não foi feita por Assembléia Constituinte, mas por comissão formada por pessoas a ele ligadas.
Ocorre que, em 1891, D. Pedro I abdica em favor de seu filho menor. Para que se perceba toda a importância e grandeza de José Bonifácio, basta citar uma carta que lhe envia o Imperador. Fazendo uma autocrítica, o Imperador pede perdão para José Bonifácio e implora para ele, José Bonifácio, assuma a tutela de seu filho menor, asseverando que ele “é a única pessoa que confiava no Brasil”. José Bonifácio aceita, volta ao Brasil, dando a linha política do Brasil nos primeiros anos de nossa Independência.
Inúmeras visitas foram feitas pelo Imperador à nossa Cidade, tendo em vista a importância política da Cidade, mas, também, para verificar as fortificações fundamentais na defesa do País.
Nossa cidade, que teve papel importante durante a monarquia constitucional, teve vários outros momentos gloriosos em nossa História. Nossa cidade foi baluarte, por exemplo, na luta abolicionista.
As mulheres santistas deram demonstração de enorme pioneirismo na luta contra a abolição. Tanto que inúmeras delas criaram “quilombos” nos quintais de suas casas, dando refúgio seguro para escravos fugitivos, enfrentando bravamente o poder imperial. Os santistas Xavier da Silveira e Luis Gama são referências na luta pela libertação dos escravos.
Os abolicionistas santistas criam um “quilombo” no Jabaquara, local para onde levam os escravos fugitivos que estavam nos quintais das casas santistas. Chegaram a viver no local mais de 500 pessoas, com a ajuda fundamental da população de Santos, inclusive militar.
A Câmara de Vereadores de Santos, numa atitude ousada e inédita, decreta o fim da escravidão em Santos. O Imperador D. Pedro II manda grande força militar contra Santos, para evitar o fim da escravidão na região. Contudo, ao chegar em Santos, a tropa imperial percebe que nossa cidade agiu de forma correta e não ataca a cidade. Ao contrário, a tropa defende a ação inédita da Câmara de Vereadores de Santos.
Somente em 1888 é que a escravidão acabou no restante do país. Contudo, por força de lei municipal, nossa cidade acabou com a escravatura dois anos antes, forçando a abolição nacional da escravidão.
Santos também foi fundamental para a Proclamação da República. As idéias republicanas estavam nos corações de vários brasileiros, mas não havia uma articulação que pudesse dar voz forte aos justos anseios de parte da população. Surgiu, em Santos, o primeiro jornal republicano o “Raio”, que dava voz e força aos ideais abolicionista e republicano.
Com base na agitação levada pelo “Raio”, a população de Santos elege o primeiro vereador claramente republicano no Brasil, Francisco Emílio de Sá, em 1881. Logo depois, nas novas eleições, os santistas elegeram mais quatro vereadores republicanos. E pagou caro por não abrir mão de seus ideais.
Assim é que, nos primeiros meses de 1889, Santos é atacada pela peste negra. Em três meses morreram quase 400 pessoas. A Câmara Municipal, claramente republicana, gasta seus parcos recursos para tentar conter a peste, tudo em vão, porque as mortes continuavam. Santos gritou pela ajuda do governo imperial, que fingiu não escutar os gritos, em vingança contra uma Santos livre, justa e republicana. A ação, ou melhor, a não ação do Imperador causou grande revolta na população de nossa cidade, que recebeu ajuda de inúmeros brasileiros patriotas, que perceberam a gravidade da situação, conseguindo vencer a grave doença.
Com a vitória dos republicanos, com a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889, nossa cidade entra em festa. Os santistas aclamaram uma “Junta Governativa”, com Xavier de Mendonça na presidência, e que, a partir de então, comandaria nossa cidade. E nossa cidade elege, como vereador, o primeiro negro no Brasil, Quintino de Lacerda.

