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Nossa Região - 30/06/2010 14:57
Audiência Pública debate ciclovia da Avenida Ana Costa
Fonte:
Priscilla Radighieri
A pedido da Comissão Especial de Vereadores (CEV) que trata da instalação e funcionamento de paraciclos, bicicletários e ciclovias no município, presidida pelo Vereador Braz, a Câmara Municipal de Santos realizou na noite de ontem, 29 de junho, Audiência Pública para debater sobre a ciclovia da Avenida Ana Costa. O encontro aconteceu no Auditório da Associação Comercial de Santos.
O Presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego, Rogério Crantschaninov, representou o Prefeito João Paulo Tavares Papa. Rogério afirmou que Santos vem avançando no Plano Cicloviário, pois conta com 21km de ciclovias e tem 8% de sua malha viária destinada ao uso da bicicleta, superando a média do País, que é de 3%. De acordo com o Presidente da CET, a companhia está em estudos juntamente com a Prodesan e com as secretarias envolvidas na implantação da ciclovia na Avenida Ana Costa, buscando a melhor solução possível.
Estiveram presentes os Vereadores membros da CEV, o Secretário Municipal do Meio Ambiente, representantes das secretarias municipais de Planejamento, Obras e Serviços Públicos, Edificações e Infraestrutura, Defesa da Cidadania, membros de entidades ligadas ao Meio Ambiente e ao uso da bicicleta e munícipes contrários à implantação da ciclovia na Avenida Ana Costa. A Promotora Ana Paula Fernandes Nogueira, da Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo do Ministério Público do Estado, enviou documento à CEV contendo justificativa de ausência e informando sobre a atuação do Poder Público no caso. O documento foi lido na íntegra pelo Vereador Braz.
O Arquiteto Carlos Prates, da Prodesan, foi convidado para apresentar à população o projeto da ciclovia. Logo no início da Audiência, Prates garantiu que não derrubaria as palmeiras imperiais do canteiro central da avenida, contrariando algumas manifestações publicadas na imprensa escrita. De acordo com o projeto, a ciclovia será implantada no canteiro central, em alguns trechos com duas pistas e em outros com pista única bidirecional. O objetivo é levar os trabalhadores ciclistas da orla ao centro, dando continuidade ao plano cicloviário do município.
Durante a apresentação, houve diversas manifestações contrárias ao projeto e ao próprio Arquiteto, que por sua vez explicou que a ciclovia seria construída no canteiro central por questões técnicas. No projeto consta o plantio de mais áreas verdes no canteiro central, gradis para a segurança dos ciclistas e sistema de drenagem para as raízes das palmeiras, entre outras adequações necessárias para a implantação de uma ciclovia. “Ciclovia não polui, ocupa menos espaço, é barata e não faz barulho”, defendeu Prates.
Aberta a palavra aos presentes, constatou-se um total equilíbrio de opiniões, dentre manifestações exacerbadas e outras mais sensatas. A ciclovia era unanimidade entre os presentes, mas o fato de ser implantada na Avenida Ana Costa gerou polêmica.
“Não somos contra as ciclovias, mas somos contra a ciclovia na Avenida Ana Costa. Há outras alternativas”, declarou João Domingos Neto, que leu um longo manifesto. O apresentador e Presidente do PSC, Flavio Santana, questionou o fato de a ciclovia já estar em licitação sem antes ter sido apresentada à população.
O Presidente da Associação Brasileira de Ciclistas, Jessé Teixeira Félix, fez uma longa defesa a favor dos ciclistas e da ciclovia na Avenida Ana Costa. Em seguida, os presentes ouviram o depoimento de Antonio Sobrinho, ciclista vítima de acidente quando fazia a conversão da ciclovia da Avenida Francisco Glicério para a Av. Senador Pinheiro Machado e foi arrastado por um carro. Antonio perdeu a perna esquerda.
O caminhoneiro Constantino Wroblewski questionou o local escolhido para a implantação da ciclovia. “Existem outras prioridades, como o tráfego de caminhões. O Prefeito deveria repensar esse caso e ouvir mais a população”.
O funcionário público Ibrahim Tauil defendeu a preservação das árvores. “Com o endeusamento do automóvel – o mais letal dos meios de transporte - e o avanço da indústria automobilística, as árvores nas praças foram se acabando. Temos que pensar em políticas e alternativas que preservem o verde e o Meio Ambiente”.
André Leandro da Silva Nascimento, representante da Sociedade de Melhoramentos do Jardim São Manoel, ressaltou a importância de um transporte coletivo de qualidade além da implantação de ciclovias, pois a grande maioria dos trabalhadores na Região Metropolitana da Baixada Santista utiliza o ônibus como meio de locomoção.
Rubens Oliveira Braga, Presidente da Ciclosan, mostrou a importância das estatísticas relacionadas ao uso da bicicleta no município. “Devemos relacionar os benefícios e os efeitos colaterais. Precisamos ter um controle de qualidade”.
O paisagista Osvaldo Casasco finalizou a participação dos presentes manifestando-se contrariamente à ciclovia na Avenida Ana Costa. Para ele, a ciclovia que vai interligar a orla e o Centro de Santos pode ser construída em outra via.
Fazendo suas considerações finais, o Vereador Braz justificou a realização da Audiência Pública. “A Prefeitura tem um projeto pronto dessa ciclovia e a sociedade está se manifestando através da mídia e da internet. É um tema polêmico, que tem dividido opiniões. Como Presidente da Comissão Especial de Vereadores que trata da instalação de paraciclos, bicicletários e ciclovias no município, senti-me na obrigação de realizar essa Audiência, mesmo que o projeto não precise passar pela Câmara Municipal, tratando-se de um projeto de obra do Executivo. O projeto está pronto, mas a obra não foi iniciada. Ainda há tempo de o Prefeito analisar as opiniões manifestadas pela população”.